terça-feira, 15 de julho de 2008
96 milhões de mulheres. Apenas na região Norte
“Em 2006, havia cerca de 91 milhões de homens e 96 milhões de mulheres. Apenas na região Norte, o número de homens superava o de mulheres, o que não ocorria em 2005. Isso se deve ao fato de haver menos mulheres acima de 60 anos no Norte do país. Lá elas representavam 51,5% da população nessa faixa etária; nas demais regiões, as proporções eram mais elevadas: Sudeste (57,2%); Sul (55,9%); Nordeste (55,2%) e Centro-Oeste (52,5%).”( … )“As mulheres são maioria na população desocupada (cerca de 57,0%), e em muitos estados esse número ultrapassa 60,0%. Por faixa etária, o contingente de desocupados estava distribuído, em 2006, da seguinte forma: de 18 a 24 anos (36,7%), de 25 a 49 anos (43,3%), de 50 anos ou mais (6,5%).”(Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=977)
Dos dados acima, retirados do próprio site do IBGE,
Em 2006, temos cerca de 91 milhões de homens e 96 milhões de mulheres. Da população economicamente ativa (97,6 milhões de pessoas )
São 96 milhões de mulheres para apenas 9,6 milhões de “homens "
ou seja, 10 mulheres para cada homem !! incrivel ... ( copiado )
Dos dados acima, retirados do próprio site do IBGE,
Em 2006, temos cerca de 91 milhões de homens e 96 milhões de mulheres. Da população economicamente ativa (97,6 milhões de pessoas )
São 96 milhões de mulheres para apenas 9,6 milhões de “homens "
ou seja, 10 mulheres para cada homem !! incrivel ... ( copiado )
Camarões promove casamento coletivo de polígamos
Camarões promove casamento coletivo de polígamo
Objetivo do governo era garantir maior proteção legal às concubinas
O governo de Camarões organizou na capital do país, Yaoundé, um casamento em massa para mais de 50 casais, sendo que a maioria deles já vive em regime de poligamia.
Mais de mil convidados presenciaram a cerimônia, que foi realizada nos jardins do Museu Nacional, em Yaoundé, e foi totalmente financiada pelo governo.
Em um evento colorido, os casais tomaram seus assentos em grandes tendas enquanto a música tocava. Alguns dos casais estavam com os seus bebês durante o casamento.
Um homem de 47 anos contou que estava se casando com três mulheres diferentes na mesma cerimônia. "Tenho 17 filhos. Vivemos todos juntos, mas cada esposa tem a sua própria cozinha", disse.
Proteção legal
A primeira-dama do país, Chantal Biya, ofereceu presentes aos recém-casados, que eram em sua maioria muçulmanos.
A ministra da Promoção da Mulher e da Família de Camarões, Suzanne Bombak, disse que filhos de uniões dessa natureza passarão a ter maior proteção legal. Ela acrescentou que a iniciativa também ajuda a garantir os direitos das concubinas.
A expectativa da ministra era de que o evento encorajasse outras mulheres que não eram casadas, mas viviam com seus companheiros, a tentar casar legalmente.
Muitos casais preferiram não se casar, temendo que a união fosse custar um registro civil, cujo preço pode chegar a US$ 25 (cerca de R$ 53). ( reproduzido)
Objetivo do governo era garantir maior proteção legal às concubinas
O governo de Camarões organizou na capital do país, Yaoundé, um casamento em massa para mais de 50 casais, sendo que a maioria deles já vive em regime de poligamia.
Mais de mil convidados presenciaram a cerimônia, que foi realizada nos jardins do Museu Nacional, em Yaoundé, e foi totalmente financiada pelo governo.
Em um evento colorido, os casais tomaram seus assentos em grandes tendas enquanto a música tocava. Alguns dos casais estavam com os seus bebês durante o casamento.
Um homem de 47 anos contou que estava se casando com três mulheres diferentes na mesma cerimônia. "Tenho 17 filhos. Vivemos todos juntos, mas cada esposa tem a sua própria cozinha", disse.
Proteção legal
A primeira-dama do país, Chantal Biya, ofereceu presentes aos recém-casados, que eram em sua maioria muçulmanos.
A ministra da Promoção da Mulher e da Família de Camarões, Suzanne Bombak, disse que filhos de uniões dessa natureza passarão a ter maior proteção legal. Ela acrescentou que a iniciativa também ajuda a garantir os direitos das concubinas.
A expectativa da ministra era de que o evento encorajasse outras mulheres que não eram casadas, mas viviam com seus companheiros, a tentar casar legalmente.
Muitos casais preferiram não se casar, temendo que a união fosse custar um registro civil, cujo preço pode chegar a US$ 25 (cerca de R$ 53). ( reproduzido)
Psiquiatra derruba o mito da alma gêmea
Psiquiatra derruba o mito da alma gêmea
Com mais de quatro décadas de experiência clínica, o psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos que, nos últimos tempos, mudaram o perfil dos relacionamentos amorosos e, por sua vez, a sexualidade. Como, por exemplo, a pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição de novos vínculos familiares após uma relação malsucedida ou um divórcio. As reflexões sobre o amor ao longo desse tempo estão em seu 26º livro, Uma História do Amor... com Final Feliz. Na obra, lançada no final do mês passado, o psiquiatra ataca o amor romântico e promove uma nova leitura do individualismo, para ele entendido não como um descaso pelos outros, mas como uma maneira de aumentar o autoconhecimento. Assim, segundo ele, na sociedade contemporânea, não há espaço para a velha metáfora da “cara-metade”. Há sim, duas pessoas, diferentes, que não querem se igualar, mas pretendem manter um relacionamento. A receita para a felicidade é o conhecimento dessas particularidades. Ao desenvolver relacionamentos baseados no respeito à individualidade, Gikovate acredita que o casal cria laços que podem durar a vida toda. Entre os fatores que impedem a permanência dos velhos padrões de relacionamento, o psiquiatra aponta o novo papel da mulher. Os livros do psiquiatra já venderam mais de um milhão de exemplares. Flávio Gikovate esteve em Campinas para uma noite de autógrafos e conversou com a Agência Anhangüera de Notícias (AAN). Confira abaixo os principais trechos da entrevista. AAN - Fale um pouco sobre o seu livro Uma história do Amor... Com final Feliz. É o fim do amor romântico? Flávio Gikovate - O amor romântico é um tipo de sentimento que as pessoas passaram a ter, um homem e uma mulher, a partir de algum momento do século 19. É um tipo de ligação mais forte, imaturo, possessivo, que surgiu nesta época. Depois da diminuição da importância do clã e, a partir do momento em que os jovens saíram da área rural e vieram para a cidade, passaram a escolher sozinhos seus parceiros conjugais. Quem escolhia era a família. Então, essas escolhas passaram a ser entre opostos e isso era valorizado como uma coisa boa por parte da sociedade. Era uma idéia de complemento em que um passava a ser aquilo que faltava ao outro. E os dois, juntos, passavam a ser uma dupla mais forte para enfrentar as diversidades do mundo. Isso definia uma ligação muito exigente, muito cheia de cobranças, que não era difícil de ser respeitada em um mundo onde a vida era muito simples e também não existiam muitas alternativas de estilo de vida. E onde as pessoas ficavam juntas e faziam juntas todos os programas até porque não havia muitos programas para fazer. Há 150 anos, não havia luz elétrica. Não tinha automóvel, televisão, opções de lazer. E, mais do que isso, a figura feminina naquela época era considerada mais dócil e obediente. Oficialmente, era uma figura que não pensava. Imagine o que aconteceu depois da 2 Guerra Mundial, a autonomia financeira, profissional e emocional da mulher. Agora, a previsão é de que as mulheres vão ganhar, em média, mais do que os homens. O número de mulheres é maior do que o de homens na universidade. Isso complica a previsão de futuro. Houve um avanço terrível do espaço feminino. Dois cérebros para pensar. Um monte de opções de individualidade muito mais forte. Como o senhor define essa nova maneira de se relacionar? É uma maneira mais individualista, que respeita os avanços que aconteceram no mundo, ou seja, a partir do momento em que inventaram a televisão, o computador, automóveis e tantas outras variáveis, evidentemente, as pessoas têm muitas opções de ação e reação, homens e mulheres trabalham, são mais independentes, têm relações mais igualitárias e, naturalmente, existe uma necessidade de um respeito maior pelas diferenças. Então o senhor acredita que foi a mudança do papel feminino que levou a transformações na forma de se relacionar? Não. Acho que isso que começou a definir, na segunda metade dos anos 70, um maior número de divórcios. As pessoas passaram a ficar menos tolerantes para fazer concessões necessárias para viver em comum. Antes, as concessões eram fáceis de fazer porque elas não eram tão sofridas ou onerosas. A vida era muito diferente. A verdade é que o avanço tecnológico e as mudanças no modo de vida das pessoas as fizeram levar um outro tipo de relação entre homem e mulher. O senhor acredita que os relacionamentos melhoraram ou não? Antigamente, essa dependência caía bem até porque não havia necessidade de independência. Na verdade, hoje, o mundo moderno requer muito mais em termos de independência, individualidade. Requer muito mais em termos de maturidade emocional. Os casamentos não são fundados em oposição porque ninguém precisa do complemento, da força do outro para se virar. Os casamentos de boa qualidade, hoje, são baseados em afinidades e não em oposição. Hoje, não se fala mais em opostos que se atraem, pelo menos como se falava antigamente, em alma gêmea. Buscam-se afinidades, mas ainda se escolhe por opostos. Mas isso também é uma coisa que não vai durar porque, quando você escolhe uma pessoa que é muito diferente de você, pode encantar em um primeiro momento, vai irritar e encher o saco no momento seguinte. Com o tempo essas identidades opostas tornam-se mais gritantes? Sim, porque as pessoas estão mais individualistas. Mas isso é um sinal de maturidade maior. As pessoas estão mais capazes de se guiar por si mesmas. Estão mais auto-suficientes. Isso porque elas crescem em um mundo que tem mais entretenimento e afinidades para cada pessoa. Você não precisa mais depender de outras pessoas para se divertir e se entreter. E a tese da dependência emocional e financeira da mulher em relação ao homem vem diminuindo. O senhor acredita que esses novos valores de relacionamento suprem a solidão? A solidão vai ficando mais confortável. É mais fácil viver sozinho hoje do que antigamente. O que eu defendo não é o fim do amor. É o fim deste tipo de amor que chamamos de amor romântico, no qual somos uma metade que se completa com outra metade e se faz um inteiro. A idéia de que somos um inteiro e que nos sentimos um pouco incompletos quando estamos sozinhos e precisamos encontrar um outro parceiro, que vai ser um parceiro, um amigão, um companheiro com quem você vai jogar o jogo da vida em dupla. Talvez seja por isso que hoje as pessoas estão preferindo namorar ou até se casar, mas morarem em casas separadas... Acho que isso não vai vingar porque as pessoas não estão preferindo morar cada um na sua casa. Uma ou outra pessoa tenta isso como solução para ver se concilia amor e individualidade. Mas, na verdade, essa conciliação se faz pelo amadurecimento emocional e pelo fato de viverem juntas respeitando as diferenças. Se a minha mulher gosta de ópera e eu não gosto, ela vai à ópera e eu não. Nem ela tem de deixar de ir à opera porque eu não gosto e nem eu tenho que ir contra a minha vontade, só para fazer companhia a ela. Então, é uma relação respeitosa de diferenças, ao invés das concessões de antigamente. Não há necessidade nenhuma de viver grudado. As pessoas estão se adaptando a essas novas características dos relacionamentos? Há uma mudança no jeito de se relacionar para que a relação funcione e para que se possa reiventar o casamento para toda a vida. Se não for assim, vai todo mundo casar e, depois de três anos, descasar. Todo mundo fala que o número de casamentos está aumentando. É verdade, mas o número de divórcios também está crescendo. Esse novo modelo de relacionamento é um amadurecimento para os casais? Isso representa um ganho. Perde quem tem que trocar de parceiro a cada dez anos. Isso é ruim porque não há quem agüente, bolso que suporte e não há filho que tenha saúde mental depois. Tem que se reinventar um tipo de relacionamento que seja duradouro, que as relações possam voltar a ser legais e que possam durar a vida inteira. O senhor acredita que o amor, assim como a paixão, tem prazo de validade? Não. Se o amor for de qualidade, respeitoso, na qual as pessoas crescem juntas, o amor une. É um sentimento que provoca uma sensação de paz e aconchego. Não é o remédio para todos os males. É preciso que as pessoas tenham planos, projetos de vida juntas. Se o casal tiver de acordo em ter que discutir de uma maneira bacana, que não seja crítica, que não seja rebaixando um ao outro, sem brigas, pode durar a vida inteira. O senhor acredita que os gestos de gentileza e romantismo do início dos relacionamentos vão sobreviver? Isso não é romantismo. São rituais como mandar flores para a mulher, o que não é gentileza. Qualquer um pode pedir para a secretária fazer isso. Acho que o que vai sobreviver é a dedicação, um cuidar de fazer a vida do outro mais confortável. Isso, enquanto existir amor recíproco, também vai existir. O que vai desaparecer é esse negócio de um fazer as coisas para o outro e o outro não fazer nada. Essa via de mão dupla não existe entre opostos. Entre opostos é sempre um que dá e outro que recebe. E o que recebe é fácil de saber. No casal, é o que reclama mais. Quais são os avanços que ainda podem acontecer dentro de um relacionamento amoroso? A independência financeira cada vez maior da mulher. Por isso ela vai ficar cada vez mais exigente? Nós vamos ver se as mulheres ainda vão querer casar tanto como queriam antes. Quero ver como vai ficar a cabeça delas quando tiverem de pagar quase dois terços das contas. Por enquanto, o pouco que se tem disso, como no Japão, onde há mulheres nessas condições, elas não querem casar mais. Quando o homem paga a maior parte das contas, as mulheres acham bárbaro, mas veremos o que vai acontecer quando elas começarem a bancar as despesas. Todo mundo fala que a mulher é romântica e que o homem é mais prático, mas, na verdade, o casamento interessa muito mais para as mulheres. Se o homem fosse prático mesmo, não casava. Hoje, para mulher está igual. O homem sempre pôde namorar, ter vida sexual, nunca foi tão discriminado, sempre teve uma liberdade maior solteiro. Casou muito mais por amor, para constituir um núcleo familiar, agradar a mulher amada. A mulher só sossega quando leva o homem para o altar. Os casamentos de hoje são menos duradouros se comparados com os de antigamente? Hoje, são menos duradouros, mas isso não quer dizer nada, não quer dizer que os de antigamente eram de boa qualidade. Quer dizer que antigamente era mais difícil de separar. O divórcio antes era mais malvisto. Hoje, é mais fácil separar. No Brasil, a lei do divórcio só surgiu na década de 80. Antes, uma pessoa desquitada era discriminada socialmente. As crianças filhos de pais desquitados eram malvistas na escola. O senhor acha que o mundo hoje está preparado para entender esse novo formato de relacionamento? Muito mais hoje do que quando eu comecei a falar nisso, em 1977. Na época, todo mundo falava que eu era maluco. Hoje, esse meu livro está entre os 50 mais vendidos do País. Hoje, as pessoas me ouvem com muito mais simpatia. É um público maior e mais interessado nisso. O senhor acha que os casais hoje idealizam um relacionamento diferente? As pessoas estão querendo sempre as mesmas coisas: estabelecer relações duradouras e de longa vida, mas não sabem muito bem como. Aí que entra o amadurecimento emocional, e aprendendo um pouco mais sobre essas coisas do amor, porque, na verdade, esse meu livro é isso: tudo que o que eu pude aprender e colecionar sobre o amor desde que eu estava no útero da minha mãe. Quanto mais se conhece o assunto, maior a chance de acertar. Existe uma fórmula para amadurecer emocionalmente? O primeiro passo é não imaginar que o outro é o salvador da pátria, que é o médico para todos os seus males. Tem que imaginar que é um parceiro, um amigão, companheiro de viagem e não aquele que você vai colocar todos os seus sonhos e frustrações. Essa idéia de príncipe encantado tem que desaparecer. Tem que pensar que são dois seres humanos que vão construir uma história bonita.
( transcrito )
Com mais de quatro décadas de experiência clínica, o psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos que, nos últimos tempos, mudaram o perfil dos relacionamentos amorosos e, por sua vez, a sexualidade. Como, por exemplo, a pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição de novos vínculos familiares após uma relação malsucedida ou um divórcio. As reflexões sobre o amor ao longo desse tempo estão em seu 26º livro, Uma História do Amor... com Final Feliz. Na obra, lançada no final do mês passado, o psiquiatra ataca o amor romântico e promove uma nova leitura do individualismo, para ele entendido não como um descaso pelos outros, mas como uma maneira de aumentar o autoconhecimento. Assim, segundo ele, na sociedade contemporânea, não há espaço para a velha metáfora da “cara-metade”. Há sim, duas pessoas, diferentes, que não querem se igualar, mas pretendem manter um relacionamento. A receita para a felicidade é o conhecimento dessas particularidades. Ao desenvolver relacionamentos baseados no respeito à individualidade, Gikovate acredita que o casal cria laços que podem durar a vida toda. Entre os fatores que impedem a permanência dos velhos padrões de relacionamento, o psiquiatra aponta o novo papel da mulher. Os livros do psiquiatra já venderam mais de um milhão de exemplares. Flávio Gikovate esteve em Campinas para uma noite de autógrafos e conversou com a Agência Anhangüera de Notícias (AAN). Confira abaixo os principais trechos da entrevista. AAN - Fale um pouco sobre o seu livro Uma história do Amor... Com final Feliz. É o fim do amor romântico? Flávio Gikovate - O amor romântico é um tipo de sentimento que as pessoas passaram a ter, um homem e uma mulher, a partir de algum momento do século 19. É um tipo de ligação mais forte, imaturo, possessivo, que surgiu nesta época. Depois da diminuição da importância do clã e, a partir do momento em que os jovens saíram da área rural e vieram para a cidade, passaram a escolher sozinhos seus parceiros conjugais. Quem escolhia era a família. Então, essas escolhas passaram a ser entre opostos e isso era valorizado como uma coisa boa por parte da sociedade. Era uma idéia de complemento em que um passava a ser aquilo que faltava ao outro. E os dois, juntos, passavam a ser uma dupla mais forte para enfrentar as diversidades do mundo. Isso definia uma ligação muito exigente, muito cheia de cobranças, que não era difícil de ser respeitada em um mundo onde a vida era muito simples e também não existiam muitas alternativas de estilo de vida. E onde as pessoas ficavam juntas e faziam juntas todos os programas até porque não havia muitos programas para fazer. Há 150 anos, não havia luz elétrica. Não tinha automóvel, televisão, opções de lazer. E, mais do que isso, a figura feminina naquela época era considerada mais dócil e obediente. Oficialmente, era uma figura que não pensava. Imagine o que aconteceu depois da 2 Guerra Mundial, a autonomia financeira, profissional e emocional da mulher. Agora, a previsão é de que as mulheres vão ganhar, em média, mais do que os homens. O número de mulheres é maior do que o de homens na universidade. Isso complica a previsão de futuro. Houve um avanço terrível do espaço feminino. Dois cérebros para pensar. Um monte de opções de individualidade muito mais forte. Como o senhor define essa nova maneira de se relacionar? É uma maneira mais individualista, que respeita os avanços que aconteceram no mundo, ou seja, a partir do momento em que inventaram a televisão, o computador, automóveis e tantas outras variáveis, evidentemente, as pessoas têm muitas opções de ação e reação, homens e mulheres trabalham, são mais independentes, têm relações mais igualitárias e, naturalmente, existe uma necessidade de um respeito maior pelas diferenças. Então o senhor acredita que foi a mudança do papel feminino que levou a transformações na forma de se relacionar? Não. Acho que isso que começou a definir, na segunda metade dos anos 70, um maior número de divórcios. As pessoas passaram a ficar menos tolerantes para fazer concessões necessárias para viver em comum. Antes, as concessões eram fáceis de fazer porque elas não eram tão sofridas ou onerosas. A vida era muito diferente. A verdade é que o avanço tecnológico e as mudanças no modo de vida das pessoas as fizeram levar um outro tipo de relação entre homem e mulher. O senhor acredita que os relacionamentos melhoraram ou não? Antigamente, essa dependência caía bem até porque não havia necessidade de independência. Na verdade, hoje, o mundo moderno requer muito mais em termos de independência, individualidade. Requer muito mais em termos de maturidade emocional. Os casamentos não são fundados em oposição porque ninguém precisa do complemento, da força do outro para se virar. Os casamentos de boa qualidade, hoje, são baseados em afinidades e não em oposição. Hoje, não se fala mais em opostos que se atraem, pelo menos como se falava antigamente, em alma gêmea. Buscam-se afinidades, mas ainda se escolhe por opostos. Mas isso também é uma coisa que não vai durar porque, quando você escolhe uma pessoa que é muito diferente de você, pode encantar em um primeiro momento, vai irritar e encher o saco no momento seguinte. Com o tempo essas identidades opostas tornam-se mais gritantes? Sim, porque as pessoas estão mais individualistas. Mas isso é um sinal de maturidade maior. As pessoas estão mais capazes de se guiar por si mesmas. Estão mais auto-suficientes. Isso porque elas crescem em um mundo que tem mais entretenimento e afinidades para cada pessoa. Você não precisa mais depender de outras pessoas para se divertir e se entreter. E a tese da dependência emocional e financeira da mulher em relação ao homem vem diminuindo. O senhor acredita que esses novos valores de relacionamento suprem a solidão? A solidão vai ficando mais confortável. É mais fácil viver sozinho hoje do que antigamente. O que eu defendo não é o fim do amor. É o fim deste tipo de amor que chamamos de amor romântico, no qual somos uma metade que se completa com outra metade e se faz um inteiro. A idéia de que somos um inteiro e que nos sentimos um pouco incompletos quando estamos sozinhos e precisamos encontrar um outro parceiro, que vai ser um parceiro, um amigão, um companheiro com quem você vai jogar o jogo da vida em dupla. Talvez seja por isso que hoje as pessoas estão preferindo namorar ou até se casar, mas morarem em casas separadas... Acho que isso não vai vingar porque as pessoas não estão preferindo morar cada um na sua casa. Uma ou outra pessoa tenta isso como solução para ver se concilia amor e individualidade. Mas, na verdade, essa conciliação se faz pelo amadurecimento emocional e pelo fato de viverem juntas respeitando as diferenças. Se a minha mulher gosta de ópera e eu não gosto, ela vai à ópera e eu não. Nem ela tem de deixar de ir à opera porque eu não gosto e nem eu tenho que ir contra a minha vontade, só para fazer companhia a ela. Então, é uma relação respeitosa de diferenças, ao invés das concessões de antigamente. Não há necessidade nenhuma de viver grudado. As pessoas estão se adaptando a essas novas características dos relacionamentos? Há uma mudança no jeito de se relacionar para que a relação funcione e para que se possa reiventar o casamento para toda a vida. Se não for assim, vai todo mundo casar e, depois de três anos, descasar. Todo mundo fala que o número de casamentos está aumentando. É verdade, mas o número de divórcios também está crescendo. Esse novo modelo de relacionamento é um amadurecimento para os casais? Isso representa um ganho. Perde quem tem que trocar de parceiro a cada dez anos. Isso é ruim porque não há quem agüente, bolso que suporte e não há filho que tenha saúde mental depois. Tem que se reinventar um tipo de relacionamento que seja duradouro, que as relações possam voltar a ser legais e que possam durar a vida inteira. O senhor acredita que o amor, assim como a paixão, tem prazo de validade? Não. Se o amor for de qualidade, respeitoso, na qual as pessoas crescem juntas, o amor une. É um sentimento que provoca uma sensação de paz e aconchego. Não é o remédio para todos os males. É preciso que as pessoas tenham planos, projetos de vida juntas. Se o casal tiver de acordo em ter que discutir de uma maneira bacana, que não seja crítica, que não seja rebaixando um ao outro, sem brigas, pode durar a vida inteira. O senhor acredita que os gestos de gentileza e romantismo do início dos relacionamentos vão sobreviver? Isso não é romantismo. São rituais como mandar flores para a mulher, o que não é gentileza. Qualquer um pode pedir para a secretária fazer isso. Acho que o que vai sobreviver é a dedicação, um cuidar de fazer a vida do outro mais confortável. Isso, enquanto existir amor recíproco, também vai existir. O que vai desaparecer é esse negócio de um fazer as coisas para o outro e o outro não fazer nada. Essa via de mão dupla não existe entre opostos. Entre opostos é sempre um que dá e outro que recebe. E o que recebe é fácil de saber. No casal, é o que reclama mais. Quais são os avanços que ainda podem acontecer dentro de um relacionamento amoroso? A independência financeira cada vez maior da mulher. Por isso ela vai ficar cada vez mais exigente? Nós vamos ver se as mulheres ainda vão querer casar tanto como queriam antes. Quero ver como vai ficar a cabeça delas quando tiverem de pagar quase dois terços das contas. Por enquanto, o pouco que se tem disso, como no Japão, onde há mulheres nessas condições, elas não querem casar mais. Quando o homem paga a maior parte das contas, as mulheres acham bárbaro, mas veremos o que vai acontecer quando elas começarem a bancar as despesas. Todo mundo fala que a mulher é romântica e que o homem é mais prático, mas, na verdade, o casamento interessa muito mais para as mulheres. Se o homem fosse prático mesmo, não casava. Hoje, para mulher está igual. O homem sempre pôde namorar, ter vida sexual, nunca foi tão discriminado, sempre teve uma liberdade maior solteiro. Casou muito mais por amor, para constituir um núcleo familiar, agradar a mulher amada. A mulher só sossega quando leva o homem para o altar. Os casamentos de hoje são menos duradouros se comparados com os de antigamente? Hoje, são menos duradouros, mas isso não quer dizer nada, não quer dizer que os de antigamente eram de boa qualidade. Quer dizer que antigamente era mais difícil de separar. O divórcio antes era mais malvisto. Hoje, é mais fácil separar. No Brasil, a lei do divórcio só surgiu na década de 80. Antes, uma pessoa desquitada era discriminada socialmente. As crianças filhos de pais desquitados eram malvistas na escola. O senhor acha que o mundo hoje está preparado para entender esse novo formato de relacionamento? Muito mais hoje do que quando eu comecei a falar nisso, em 1977. Na época, todo mundo falava que eu era maluco. Hoje, esse meu livro está entre os 50 mais vendidos do País. Hoje, as pessoas me ouvem com muito mais simpatia. É um público maior e mais interessado nisso. O senhor acha que os casais hoje idealizam um relacionamento diferente? As pessoas estão querendo sempre as mesmas coisas: estabelecer relações duradouras e de longa vida, mas não sabem muito bem como. Aí que entra o amadurecimento emocional, e aprendendo um pouco mais sobre essas coisas do amor, porque, na verdade, esse meu livro é isso: tudo que o que eu pude aprender e colecionar sobre o amor desde que eu estava no útero da minha mãe. Quanto mais se conhece o assunto, maior a chance de acertar. Existe uma fórmula para amadurecer emocionalmente? O primeiro passo é não imaginar que o outro é o salvador da pátria, que é o médico para todos os seus males. Tem que imaginar que é um parceiro, um amigão, companheiro de viagem e não aquele que você vai colocar todos os seus sonhos e frustrações. Essa idéia de príncipe encantado tem que desaparecer. Tem que pensar que são dois seres humanos que vão construir uma história bonita.
( transcrito )
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Não seria justo um amparo legal
Os homossexuais reivindicam, ao meu ver com razão, o direito a união civil (o popular casamento). Se duas pessoas do mesmo sexo querem assumir um compromisso perante a lei, resguardar seus direitos como casal e etc, beleza, não cabe ao estado julgar isso, mas sim respeitar a vontade destes dois cidadãos. Cada um na sua: os caras casam, o estado não se mete e a igreja que se encarregue de mandar esses pecadores pro inferno.
Agora, se é para dar uma de liberal e romper um dogma religioso como esse em nome da “não intervenção estatal na vida particular de cada um”, nada mais justo do que abrir logo a porteira e autorizar outros tipos de uniões vitimadas pelo preconceito desta cultura conservadora cristã que prevalece em nosso país. Por isso levanto a bandeira da legalização da união civil poligâmica. Para o bem de nós todos, que sofremos com a imposição de ter que escolher apenas uma mulher (ou marido) de cada vez.
Normal em muitas culturas, aqui no Brasil a poligamia é mais rechaçada do que a união gay. A bigamia (ou poligamia) é considerada crime, com pena de 2 a 6 anos prevista no artigo 235 do Código Penal. Vejam só! Casar com 2 mulheres (ou 2 homens) é crime! Sentiram a diferença? O casamento homossexual não é permitido, mas também não leva ninguém pro xilindró.
Tudo isso sem qualquer apelo racional. É pura doutrina cultural e religiosa. Se homossexuais se defendem dizendo que isso é a opção por um estilo de vida que os agrada, os polígamos podem fazer o mesmo. Se os homossexuais apresentam evidências científicas para mostrar que este comportamento é observado em várias espécies, os polígamos podem fazer o mesmo.
Conheço dezenas de casais gays que vivem a sua vida normalmente. É claro que enfrentando uma dose de preconceito aqui e ali, mas nada que os impeça de “brincar de casinha” com tranqüilidade. A sociedade já se acostumou com esse modelo familiar e poucas pessoas ainda ficam escandalizadas com isso. Mas pense em uma família poligâmica. Você acha que as pessoas que optaram por este estilo de vida são tranqüilas? O preconceito é tão brutal que essas famílias nem mesmo são aparentes. A fofoca come solta e os olhares de reprovação da vizinhança são fartos. A grande maioria delas ficam ocultas, na clandestinidade, até porque se “saírem do armário” correm o risco de “brincar de casinha” na casa de detenção mais próxima.
Felizmente estamos chegando na época do “e daí?”, e isso é maravilhoso, cada um sabe o que é melhor para si. E daí se o cara gosta de tomar pirocada no rabo? E daí se a mina adora colar um velcro? E daí se Beltrano é tão pica-doce que consegue manter três mulheres em baixo do mesmo teto, todas felizes com aquela situação (sofrendo apenas com o preconceito feroz da porta para fora)?
Não seria justo um amparo legal para resguardar os direitos dessas famílias também, com todas aquelas questões de herança, pensão e etc, que os gays lutam? Aliás, os gays deveriam incluir a causa da união civil poligâmica em sua militância, porque se não estariam sendo hipócritas. Por que só vocês podem ter um casamento alegre? Por que a “promiscuidade” heterossexual não merece o amparo da lei?Garanto que com isso ganhariam muito mais apoio, sem falar que também seriam beneficiados. Imaginem um belo casamento entre 4 bissexuais, 2 homens e 2 mulheres. Isso sim que é arco-íris ( trancrito materia de 2005 )
Agora, se é para dar uma de liberal e romper um dogma religioso como esse em nome da “não intervenção estatal na vida particular de cada um”, nada mais justo do que abrir logo a porteira e autorizar outros tipos de uniões vitimadas pelo preconceito desta cultura conservadora cristã que prevalece em nosso país. Por isso levanto a bandeira da legalização da união civil poligâmica. Para o bem de nós todos, que sofremos com a imposição de ter que escolher apenas uma mulher (ou marido) de cada vez.
Normal em muitas culturas, aqui no Brasil a poligamia é mais rechaçada do que a união gay. A bigamia (ou poligamia) é considerada crime, com pena de 2 a 6 anos prevista no artigo 235 do Código Penal. Vejam só! Casar com 2 mulheres (ou 2 homens) é crime! Sentiram a diferença? O casamento homossexual não é permitido, mas também não leva ninguém pro xilindró.
Tudo isso sem qualquer apelo racional. É pura doutrina cultural e religiosa. Se homossexuais se defendem dizendo que isso é a opção por um estilo de vida que os agrada, os polígamos podem fazer o mesmo. Se os homossexuais apresentam evidências científicas para mostrar que este comportamento é observado em várias espécies, os polígamos podem fazer o mesmo.
Conheço dezenas de casais gays que vivem a sua vida normalmente. É claro que enfrentando uma dose de preconceito aqui e ali, mas nada que os impeça de “brincar de casinha” com tranqüilidade. A sociedade já se acostumou com esse modelo familiar e poucas pessoas ainda ficam escandalizadas com isso. Mas pense em uma família poligâmica. Você acha que as pessoas que optaram por este estilo de vida são tranqüilas? O preconceito é tão brutal que essas famílias nem mesmo são aparentes. A fofoca come solta e os olhares de reprovação da vizinhança são fartos. A grande maioria delas ficam ocultas, na clandestinidade, até porque se “saírem do armário” correm o risco de “brincar de casinha” na casa de detenção mais próxima.
Felizmente estamos chegando na época do “e daí?”, e isso é maravilhoso, cada um sabe o que é melhor para si. E daí se o cara gosta de tomar pirocada no rabo? E daí se a mina adora colar um velcro? E daí se Beltrano é tão pica-doce que consegue manter três mulheres em baixo do mesmo teto, todas felizes com aquela situação (sofrendo apenas com o preconceito feroz da porta para fora)?
Não seria justo um amparo legal para resguardar os direitos dessas famílias também, com todas aquelas questões de herança, pensão e etc, que os gays lutam? Aliás, os gays deveriam incluir a causa da união civil poligâmica em sua militância, porque se não estariam sendo hipócritas. Por que só vocês podem ter um casamento alegre? Por que a “promiscuidade” heterossexual não merece o amparo da lei?Garanto que com isso ganhariam muito mais apoio, sem falar que também seriam beneficiados. Imaginem um belo casamento entre 4 bissexuais, 2 homens e 2 mulheres. Isso sim que é arco-íris ( trancrito materia de 2005 )
